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16/10/2009

                              N

         C                   A   M  O  R  

         O                   S       D

         R                   C       I

         A   J  E  V  N   I   D  O  L  A   T  R  I  A

         G                   M                               L

     M  E  D  O          E             T  R  I  S  T  E   Z  A

         M                   N        V                     G

                               T         I                     R

                        M    O    R   T   E                I

                                          O                    A

                               D   E    R   R   O   T  A

                                          I

                                          A


Escrito por wcombr às 10h10
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15/09/2009

O barco

Saudade à vista

o barco quer zarpar

estou cansado desta ilha

estou cansado deste mar.


Escrito por wcombr às 07h58
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15/07/2009

A foto

Vinha de longe , não tinha nenhum resquício do que fora um dia , aquela imagem não remetia a beleza pura do que tanto procurou , já estava tudo burlado com a angústia inexorável do prazer . Tava vestida de personagens , despida do fardo que cansou de carregar , não que ela tivesse buscado para si uma denominação . A felicidade parecia exposta , não evidente ou real , mas estava tudo na estante. A fala , o olhar e os trejeitos eram somados ao outro , de gole em gole uma vontade nova era satisfeita e remetidas aos agradecimentos  silenciosos  do olhar que pulsava. A satisfação vinha na eminência do satisfazer que se fazia vigente , quase como uma cruz que se ostenta com a satisfação do orgulho de ser ter cedido para um bem maior .

O seu mundo antropocêntrico era feito de bom grado , era feito de uma forma arquitetônica deslumbrante .Ela  era plebéia , rainha e princesa , tinha as chaves do Castelo,  a pena cheia de tinta para o decreto , a lealdade dos súditos , o orgulho engolido dos bobos , os guerreiros dispostos a matar os dragões , príncipes  cheios de ardores e sem nenhum pudor em exibir os seu poderes aquisitivos vestidos de amor .

Vossa majestade , a nossa simples plebéia , cheia de poses , rostos , sonhos , felicidades, tristezas , angústias , medos , amores , desamores , bondades e maldades se exibia com  uma pluralidade virtuosa para cada foto de sua vida , se transformava  no seu próprio amálgama, refém de sua própria obra.


Escrito por wcombr às 13h31
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18/06/2009

Gabriela

 

 

          Gabriela  se olhava no espelho e pintava  as  sombras negras nos olhos, deixava o cílios pontudos, fazia  tudo aquilo com uma delicadeza de uma rosa desabrochando, ajeitava os cabelos lisos, loiros  e soltos , penteava para um lado e  para o outro , até que resolveu penteá-lo para atrás , se olhou fundo , pensou um pouco mais  , resolveu jogar a cabeça para atrás e balançar as madeixas , ficou linda, a cara de menina  estava disfarçada , parecia moça da vida , era enfim o que ela queria aparentar , mulher decidida , mulher desejada , colecionadora de olhares ; a rainha dos sonhos dos homens. A noite  estava só começando e ela se pintava e se arrumava , fazia - se mais bonita , Deu a última olhada no espelho , suspirou fundo e de mini-saia ,com as  costas e barriga  à amostra desceu as escadas em forma de caracol , a música agitava aquele bar , aquele salão , Gabriela exibia  suas  formas  vistosas , começava a dançar a se insinuar para os homens , ela conseguia ir até o chão e balançar com a volúpia que era de fazer inveja nas mulheres e causar desejos contínuos  nos homens que estavam  boque abertos  a sua volta  , os homens    passeavam com seus olhos    em  os seu mais perfeitos e deslumbrantes dotes de mulher , ela nem os  olhava , só queria saber de se mover conforme  aquelas ondas sonoras. Gabriela se ia para cima e para  baixo, rodava e girava ,dançava sem parar  , exibia as mais esticadas e belas insinuantes coreografias com as pernas , com a cintura , com o corpo todo  .Os homens continuavam a lançar seus  olhares indiscretos que só  não ha arrepiavam e nem a incomodava  porque ali não era o lugar para tal  coisa  , era dançar conforme a dança, mexer conforme o par , as horas passavam e Gabriela era a  mulher mais desejada do salão , a que  formou os mais diversos pares na  noite .

           As três e trinta da madrugada,  Gabriela se encontrava   exausta , suas pernas não tinham mais tanta desenvoltura  , então resolveu subir aquele traçado encaracolado pela primeira vez  sozinha , o ar sensual se fora com as horas , com os goles , com as migalhas dela cedida aos olhos , sonhos e suor dos homens. Gabriela entrou em seu quadrado reservado se despiu de roupas , máscaras e fardos , contou as notas ganhas com suas lágrimas e suor de fato , se jogou na cama de seios abertos e calejados , com os ombros pesados e costas  fartas , fechou os seu olhos e aquelas danças noturnas  a vieram como assombração , sentou-se na cama , limpou as lágrimas, pegou uma pequena trouxa  formada de plástico , que guardava em baixo do coxão, nessa trouxinha  continha um pó  branco   na qual ela retirou uma pequena quantidade  fez uma pequena carreira branca alinhada na mesinha de cabeceira que ficava dentro daquele cubículo ao lado de sua cama , pegou uma daquelas notas que ganhara com sua noite dedicada enrolou a nota como se fosse um canudo e inalou aquela carreira branca  com um prazer   maior  do que qualquer  passo de dança dado naquela noite , já estava tão acostumada com tal feito, que aquilo  nem  surtia mais como antes. Gabriela ouvira suar  três batidas leves na porta  , era sua melhor amiga  Penélope que a ver sua companheira  de fossa , de noites , tragos e aspirações , jogada debulhada em lágrimas  fez o que achou que era devido  , ofereceu-lhe o sorriso , mais uma carreira inalada a dupla ,ofereceu lhe o ombro, uma pílula para reconstruir a alegria ,  ,ofereceu -lhe o olhar ,  carinhos , a boca , os seios , a barriga , o ventre , e se doaram para a última dança da noite , a melhor dança da noite, a única que ela provou da saliva , apos devaneios e sonetos  , ofertaram a depressão , o sono,  abraçaram-se  de corpo nu , acordaram juntas se vestiram , roupas diferentes da  noite anterior , essa roupa cobria a barriga , as costas e as coxas , se despediram com um selinho e um abraço contemplado , Gabriela foi atrás do ônibus pro subúrbio, do centro até a sua casa era pelo menos uma hora de viajem , uma hora de lembranças de mal grado , chegando perto do conjunto habitacional que mora junto com a sua mãe e com o  seu filho de cinco anos , ela resolveu passar antes na padaria , comprou duas caixas de leite e sete  pãezinhos  , chegando  em casa  se deparou  com sua mãe sentada no sofá da sala com o neto ao lado , deu  um beijo em sua mãe e em seu filho,  e foi preparar o café , serviu o café a sua mãe e ao seu filho, lavou a louça e foi  para a o berço aonde achou a paz e o perdão  no sorriso tranqüilo de seu pequeno  filho.


Escrito por wcombr às 11h35
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28/05/2009

Do avesso

 

Ela chegou sorrateiramente com um ar feliz , apaixonada andava pela praça , olhando  o céu , tira com a sua retina belos cartões postais ,  parece feliz , anda um andar dançante , um suspiro delirante tão diferente da semana que passou sem o brilho nos olhos , sem os lábios molhados , com o corpo pesado , toda amuada. Hoje ela desfila , ela sarapateia , senta no banco da praça de pernas cruzadas e sorriso estampado , conversa com quem lhe oferta atenção ,conta piada , ri de outras sem graça  não é o seu normal ,  todos estranham , mas não reclamam , pois está formosa dama fica mais bonita assim , meiga e feliz . A curiosidade iguala a todos , até que algum curioso corajoso a indaga e ela responde cantarolando uma música do Cartola:

 

" A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida"

 


Escrito por wcombr às 10h24
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04/05/2009

O sorriso

 

O sorriso dela me causa espanto , não consigo mais desvendar, não sei se é de felicidade , se é de sarcasmo , deleite ou  nervoso , o seu sorriso não tem mais a vivacidade , não é um mistério gostoso vestido pelo querer angustiante do desvendar. O sorriso continua bonito , porém não me traz nada, não é meu e não quero que seja , não é mais arte , não é pintura , música , prosa ou poesia , aquele fio que unia o sorriso que não precisava de dicionário arrebentou , virou uma linguagem desconhecida , é de outra nacionalidade , ganhou sotaque e cacoetes irreconhecíveis dos quais eu não confiaria em nenhum tradutor o seu significado.

 Como pode um sorriso tão próximo ficar tão distante , lendo um pouco mais minunciosamente , as feições são as mesmas , o brilho do olhar que acompanha o sorriso também  , está tudo no seu devido cartão postal . O  significado do sorriso  revelou-se mais importante do que o próprio, quando eu lembrava do sorriso era do siguinificado e não das formas que ele vestia , agora ele está aqui na minha frente , com os mesmos moldes , nos mesmos lugares , o que será que mudou , a leitura ou o leitor, o sorriso que me trouxe  paixão , amor ,ciúme , saudade e tristeza  agora se faz estranho , não é mais próximo , não é mais nada , talvez com a distância volte a ser saudade.


Escrito por wcombr às 10h46
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24/04/2009

A casa

Ele volta a sua antiga casa , aquela que ele passou a infância e adolecência, a casa que a sua família morou , aquela casa que depois de sua saída ninguem mais a pertenceu ,as janelas estão limpas , todas elas estão fechadas, não tem cortina , móveis não se encontra , a luz do sol que brilha repousa ao chão limpo com um brilho intenso , maior do que o sol abafado pelo vidro liso da janela , um silêncio perpétuo , a sala tem um chão branco , as paredes creme , o teto branco , e a ao fundo uma parede vermelha com a marca de um quadro que se depósitou ali por longos anos , agora só tem a marca , nenhuma imagem , só a noção do tamanho que a moldura tinha , uma marca maior do que qualquer recordação , com maior intensidade do que a do sol , do que a do reflexo do sol repousado ao chão ; a marca deixada pelo quadro ofusca o creme da parede , o branco do teto , a claridade da sala , e o vemelho da parede de fundo , a marca é o que suga maior atenção . O corredor se encontra diferente , marcas de corpos encostados , o chão mais frio , menos claro , tudo mais escuro. O quarto exibe alguns resquícios de vida ,a janela com uma pequena brecha , algumas folhas escritas , outras folhas vazias , algumas almofadas , cabide , caneta , um porta retrato vazio , tudo isso jogado a esmo no chão. O banheiro só tem o chuveiro , a privada e a pia , tudo seco e limpo . A cozinha o lugar mais claro , só tem a pia , e nada de relevante , o tanque na área de serviço tem alguns panos sujos e úmidos , a torneira com a mesma água gelada , que ele liga e desliga ; satisfeito ele sai pela mesma porta que entrou , dá um última olhada , e a medida que se afasta da casa , ela vai ficando menor , e mais cheia do que a sua passagem materializada e da qual ele não faz questão de lembrar.


Escrito por wcombr às 11h12
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13/04/2009

As pétalas

Aflita, aflita ... as pétalas estão caindo em devaneio , perto dos pés , longe das mãos , sobre o foco de sua retina atenta. Aflita , aflita... segue o momento breve no tempo , que se arrasta em seu tormento. Aflita , aflita... a última pétala acaba de cair e  a deixa estática de olhos fechados , longe, longe ...

Deixou para trás a rua , volta ao portão de sua casa , volta a sala e se refúgia em seu quarto , de janelas e cortinas fechadas , e é na sua cama de lençois brancos e manchados que ela se joga , olha o teto , o tempo , o vento , as pétalas invadem o seu quarto , a sua cama e a deixa miuda , a faz sentir frio , ela congela por longos minutos , se sente pequena , pequena... se levanta , anda pelo quarto , tenta fugir , tudo a sua volta a incomoda , o seu quarto não tem paz , ela sai em busca do branco da sala e ali, ela paira no meio do branco da sala , não se perde e não se acha , fica parada , parada... As pétalas a supreendem e invadem a sala e ela se revolta , se move , corre pela sala , corredor , banheiro , sala , corredor , escritório , corredor , sala , escada e cai , cai ... As pétalas a cobrem , invadem a sua face , o seu corpo e a mantém miuda , pequena . As pétalas conseguem a vitória e ganham o seu troféu , o choro , o choro...


Escrito por wcombr às 11h13
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10/03/2009

A flor

A solidão acompanha a flor no jardim

toda bela sem sair dali,

se a tiram do seu lugar , a jogam no jarro d' agua

para ter sua morte singela

após já ter completado o seu ritual

alegrar o coração , dar vazão a representatividade de um ser em comum

representa o amor e a morte

simbolo da paz , capaz de arrancar sorrisos

de trazer a esperança a peitos vazios

e assim segue a flor , mostrando ao mundo a beleza do simples

a pureza natural de quem tem dor e alegria no coração

quem nunca adimirou uma flor

quem nunca sentiu brotar o amor

a este porbre tolo , de uma flor.


Escrito por wcombr às 11h38
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26/02/2009

I

 

       Então galera , esta é a primeira mudança notoria deste blog , nunca fui de seguir uma linha , sempre achei que estava indiferente as tendências vigentes , porem nunca estamos desconectados  a nada e assim as coisas seguem e nos acham sem dar  sinal , e assim este blog vai seguir , hora em prosa , hora em verso , sem uma linha , apenas com a cara do dia , não leve isso para o lado falso , afinal somos feitos de várias camadas e este blog também.


Escrito por wcombr às 18h09
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13/02/2009

Solidão

Solidão se alastrou

me trouxe o frio da verdade

a solidão me abraçou

me deixou com o calor da saudade


Escrito por wcombr às 17h11
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04/02/2009

Folha

Bate vento na árvore,

leva essa folha que está lá no alto

para o chão,

leva essa  folha embora

e lá vai ela agora ,

perdida nos passos da multidão,

pobre folha , foi compelida a sair de seu lugar

e agora perdida nos passos,

sem as canções dos pássaros

remetida a solidão.

Vento , passos , chuva e chão

vai a folha  sem direção,

perdeu sua cor,

aquele brilho desbotou,

a folha abatida

sente-se varrida

não se adaptou

ao chão.

 


Escrito por wcombr às 19h05
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27/01/2009

Trépida

Depois de refugiada

resolvi me entregar,

trépida

nas mãos do amor,

o apego foi me domando

e de dose em dose

fui me viciando,

castiguei-me  traída

voltei vencida

a me ceder a você,

ganhei o seu choro,

flores , impulsos e bombons.

Viajei branca pelo salão,

veio do amor

um fruto de nóis de dois

veio ao mundo

um fruto do nosso amor.


Escrito por wcombr às 11h47
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23/01/2009

 Gota d' água

Gota d' água

bole o céu

forma a poça do adeus

de que vale o agora,

se o ontem veio me ver?

saudade , saudade

me deixa quieto

saudade , saudade

está tão perto.


Escrito por wcombr às 14h45
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20/01/2009

Dor e alegria

E o amor,

partiu de quem?

dor e alegria no coração

o ir e vir

que transcende a paixão

e por fim

me vem

e diz que nada é em vão.

 


Escrito por wcombr às 15h03
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